11 de Setembro
11 de Setembro de 2001, era uma terça-feira.
Naquele dia, por um motivo que não me lembro, minha 2a aula havia sido cancelada, e eu estava voltando para casa mais cedo. Na época eu morava com minha família no Litoral Norte de Salvador, e estava ainda na Estrada do Coco, mas já bem próximo de casa, quando recebo no meu startac uma ligação da minha mãe, falando sobre um avião bi-motor que teria atingido as Torres Gêmeas, em Nova York. Meses antes estávamos todos lá, no topo de uma delas, em família.
Minha mãe recebeu a notícia como todos recebemos, como se fosse um "simples" acidente com um bimotor. Cheguei em casa, sintonizei diretamente na Globo News, e, como milhões de pessoas em todo o mundo, pude assistir ao segundo impacto ao vivo. Assim como os âncoras da Globo News, Leila Steremberg e Luis Ernesto Lacombe, também tive a impressão de que era um replay do primeiro impacto. E, naquele momento, como todos que estavam sintonizados, também tive a certeza de que não se tratava de mais um simples acidente com um bi-motor: - estávamos diante da transmissão ao vivo de um momento histórico.
O dia 11 de Setembro de 2001 representa, em diversos aspectos, um ponto de inflexão em nossa história. A dinâmica internacional mudou, a vida do povo árabe e do povo ocidental mudou, e de uma maneira geral, a forma como nos relacionamos com a mídia também alcançou outro patamar. Afinal, o mais simbólico acontecimento da nossa história recente havia sido, de fato, televisionado.
A transmissão ao vivo, real time, dos fatos, adquiriu outro valor. A maior notícia do século surgiu ali, na frente das cameras, e os jornalistas, até então neutros, sisudos, infalíveis, não podiam mais se conter. Naquela transmissão, todos, sem excepção, foram surpreendidos, se emocionaram, erraram e acertaram, vulneráveis como nunca, e o tempo inteiro no ar. A relação entre a audiência e os jornalistas jamais foi a mesma.
Nos anos seguintes, pelo menos na TV americana, pudemos observar um jornalismo cada vez mais pessoal, e dentro do possível, humano. Ancoras tornaram-se de certa forma mais responsáveis pelo jeito como a notícia era dada, e por isso mesmo, de certa forma, tornaram-se também parte da história. Algo parecido já tinha acontecido na 1a guerra do Golfo, e também com os grandes correspondentes de guerra na mídia impressa, mas nunca nesta proporção. De uma forma ou de outra o 11 de Setembro acabou por humanizar o noticiário televisivo.
Já no entretenimento, pudemos vivenciar uma outra transformação curiosa após o atentado, afinal, até aquele momento, imagens como aquelas só seriam possíveis no cinema. Hollywood já tinha destruído aqueles e muitos outros monumentos do patriotismo americano diversas vezes em seus filmes. A exibição daquelas cenas, reais e ao vivo, para muitos, apagou a linha até então bem clara entre o que mais provavelmente seria ficção e o que dificilmente seria realidade. A partir dali, tudo de ruim já construído através de efeitos especiais seria possível. O repertório do terror ganhava uma outra conotação.
E daí, nos anos seguintes, o povo americano num primeiro momento ficou mais sensível a este tipo de enredo e de imagens. Diversos filmes, inclusive, tiveram seus lançamentos adiados por conta do tema e em respeito ao clima pós atentado. Num segundo momento, como que terapêutico, tivemos uma fase anti-terror no cinema e na TV, cujo principal protagonista foi o agente especial anti-terrorista Jack Bauer.
Fantasmas exorcizados, culpados punidos. Depois de 10 anos, o grande inimigo americano deixa de ser Osama Bin Laden e passa a ser sua própria recessão, que talvez já estivesse por ali, só que naquela época certamente merecendo menos atenção. Passada a tempestade, feridas já cicatrizadas, gostaria muito que o 11 de Setembro se torna-se por fim mais sinonimo de superação do que de dor, de humanização do que de ódio, de fortaleza do que de vulnerabilidade. Com o mal já feito, o leite já derramado, só nos resta torcer para que no fim a humanidade saia melhor disso tudo.
Encerro com uma frase de Dra. Doris Allen, fundadora do CISV, organização internacional que promove educação para a paz e o desenvolvimento de lideranças capazes de agir ativamente na construção de uma sociedade pacífica, da qual sou membro desde os onze anos de idade e, portanto, grande responsável por minha formação.
E Doris Allen disse esta frase, que ao meu ver resume a melhor forma com que a humanidade poderia levar sua existência:
"Não existe um caminho para a paz, a paz é o único caminho."
©2009-2011 *DudeKcm321


@PedroTourinho

