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Sexta-feira
Abr302010

A favor do espetáculo

O julgamento do casal Nardoni nesta última semana, e o espetáculo que foi feito em relação a isso nas principais emissoras de televisão do país, com coberturas olímpicas, trouxe a tona no Brasil uma questão que ronda a industria do entretenimento desde o caso OJ Simpson: os limites da mídia na cobertura de processos ainda em julgamento.

Para que uma história seja bem contada, é preciso desde o início definir muito bem quem será o mocinho e quem será o bandido. Qualquer filme, qualquer piada, qualquer lenda mitologica e qualquer notícia parte desse pressuposto por um motivo muito simples: facilita o entendimento.
E o que é uma reportagem senão uma história sendo contada? Na hora de escrever uma texto, editar uma matéria ou de fazer uma locução, por mais neutro que qualquer um deseje ser, não tem jeito: haverá um pré-julgamento. A mente humana culturalmente funciona desta forma.

Graças a anos de liberdade e a um discurso de neutralidade institucional, a imprensa brasileira hoje é talvez a mais democratica e eficiente de nossas instituições. E totalmente capaz de apurar qualquer caso com equilibrio, pressionar os tribunais e, quando for o caso, fazer justiça com as próprias mãos.



Por exemplo, muito se fala dos abusos midiáticos da polícia federal, dos nomes das operações até o vazamento dos grampos telefônicos. Sem falar nas imagens. Mas pergunto: quanto vale a cena da prisão da Maluf? Hoje ele continua rico e ainda conseguiu ser eleito deputado, mas quero crer que aquela imagem vai persegui-lo sempre como um fantasma, um karma encravado na consciência. Na história do Brasil o nome Maluf sempre será sinônimo de Ladrão.




Se o caso Nardoni não tivesse chamado tanto a atenção da população através da mídia, será que eles já estariam julgados e condenados? Acredito que não. E outra, tanto no caso de políticos como Maluf quanto de sociopatas como o casal em questão, não podemos ignorar o efeito educativo deste tipo de exposição. Hoje, as execuções em praça pública se dão na internet, na sala de televisão e nos twitters de cada cidadão.



Há exageros? Talvez, mas isso não me interessa. Num país onde reina a impunidade e a morosidade na justiça, sou totalmente a favor do pré-julgamento da mídia. É melhor do que nada, é o que temos para hoje.




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Ps.: importante deixar claro que quando falo de mídia e de imprensa, me refiro a jornalistas e veículos sérios, longe da industria das celebridades que para mim não é jornalismo.







update1: texto originalmente publicado no portal R7