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<!--Generated by Squarespace V5 Site Server v5.13.166 (http://www.squarespace.com) on Tue, 18 Jun 2013 06:50:58 GMT--><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><title>blog</title><subtitle>blog</subtitle><id>http://www.pedrotourinho.me/stream/</id><link rel="alternate" type="application/xhtml+xml" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/"/><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/atom.xml"/><updated>2013-04-29T19:28:51Z</updated><generator uri="http://five.squarespace.com/" version="Squarespace V5 Site Server v5.13.166 (http://www.squarespace.com)">Squarespace</generator><entry><title>Nizan e o Sucesso</title><category term="artigos"/><category term="bahia"/><id>http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/4/29/nizan-e-o-sucesso.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/4/29/nizan-e-o-sucesso.html"/><author><name>@PedroTourinho</name></author><published>2013-04-29T18:51:28Z</published><updated>2013-04-29T18:51:28Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p>Fa&ccedil;o quest&atilde;o de sempre saudar os mestre e mentores que passaram por minha vida, e n&atilde;o &eacute; segredo para ningu&eacute;m que me conhece que Nizan Guanaes tenha sido um dos mais importantes.</p>
<p>Por conta dele estudei administra&ccedil;&atilde;o de empresas e posteriormente acabei me tornando publicit&aacute;rio. Por sua inspira&ccedil;&atilde;o vim para S&atilde;o Paulo onde tive a sorte de, quase acidentalmente, trabalhar diretamente com ele, e tive o privil&eacute;gio de passar um ano tete-a-tete com o mestre. Deu muito certo, e talvez se tivesse durado mais, tivesse sido demais, ent&atilde;o quero crer foi o tempo certo.&nbsp;</p>
<p>Muitos falam do temperamento dif&iacute;cil dele, mas sinceramente, n&atilde;o vivenciei nada disso. Nizan &eacute; como um orix&aacute;, uma for&ccedil;a da natureza, e como tal, n&atilde;o se questiona nem a genialidade, nem a intempestividade, pois tanto uma coisa quanto outra &eacute; evidente e inevit&aacute;vel, apenas aceita-se. E eu tive a sorte ou a habilidade de ter passado por essa tempestade numa boa, s&oacute; com bons aprendizados. Hoje, nos meus momentos de maior eficiencia, me pego no ritmo dele, quase o imitando.</p>
<p>Pois bem, parece bobo, mas resolvi escrever sobre Nizan porque reencontrei com um texto dele que tive contato logo no in&iacute;cio da minha vida, e que me inspirou muito, e me inspira sempre. Uns conselhos que ele deu a uma turma de formandos na Bahia, e que de um jeito ou de outro acabaram um pouco por me definir. O texto circula pela internet, e &eacute; real, dele mesmo, pois j&aacute; falei com o pr&oacute;prio sobre o assunto.</p>
<p>Vou publicar aqui no blog para voc&ecirc;s. Deixo-os com Nizan.</p>
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<p><em>Discurso do publicit&aacute;rio <strong>Nizan Guanaes </strong>como paraninfo de uma turma de formandos em Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas na Bahia.</em></p>
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<div id="_mcePaste">Dizem que conselho s&oacute; se d&aacute; a quem pede. E, se voc&ecirc;s me convidaram para paraninfo, sou tentado a acreditar que tenho sua licen&ccedil;a para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui v&atilde;o alguns, que julgo valiosos.</div>
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<div id="_mcePaste">N&atilde;o paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu of&iacute;cio com todo cora&ccedil;&atilde;o. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro vir&aacute; como conseq&uuml;&ecirc;ncia. Quem pensa s&oacute; em dinheiro n&atilde;o consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napole&atilde;o n&atilde;o invadiu a Europa por dinheiro. Hitler n&atilde;o matou 6 milh&otilde;es de judeus por dinheiro. Michelangelo n&atilde;o passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que s&oacute; pensam nele n&atilde;o o ganham. Porque s&atilde;o incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi constru&iacute;do antes, na alma.</div>
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<div id="_mcePaste">A prop&oacute;sito disso, lembro-me uma passagem extraordin&aacute;ria, que descreve o di&aacute;logo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pac&iacute;fico e um milion&aacute;rio texano. O milion&aacute;rio, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu n&atilde;o faria isso por dinheiro nenhum no mundo. E ela responde: Eu tamb&eacute;m n&atilde;o, meu filho".</div>
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<div id="_mcePaste">N&atilde;o estou fazendo com isso nenhuma apologia &agrave; pobreza, muito pelo contr&aacute;rio. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.</div>
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<div id="_mcePaste">Meu segundo conselho: pense no seu Pa&iacute;s. Porque, principalmente hoje, pensar em todos &eacute; a melhor maneira de pensar em si. Afinal &eacute; dif&iacute;cil viver numa na&ccedil;&atilde;o onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos pol&iacute;tico gera uma queda de padr&atilde;o de vida generalizada. Os pobres vivem, como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, n&atilde;o chega a viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguass&uacute;. Que era fic&ccedil;&atilde;o, mas hoje &eacute; realidade, na pessoa de Geraldo Bulh&otilde;es, Denilma e Ros&acirc;ngela, sua concubina.</div>
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<div id="_mcePaste">Meu terceiro conselho vem diretamente da B&iacute;blia: seja quente ou seja frio, n&atilde;o seja morno que eu te vomito. &Eacute; exatamente isso que est&aacute; escrito na carta de Laudiceia: seja quente ou seja frio, n&atilde;o seja morno que eu te vomito.</div>
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<div id="_mcePaste">&Eacute; prefer&iacute;vel o erro &agrave; omiss&atilde;o. O fracasso, ao t&eacute;dio. O esc&acirc;ndalo, ao vazio. Porque j&aacute; vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a trag&eacute;dia, o fracasso. Mas ningu&eacute;m narra o &oacute;cio, a acomoda&ccedil;&atilde;o, o n&atilde;o fazer, o remanso. Colabore com seu bi&oacute;grafo. Fa&ccedil;a, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, n&atilde;o jogue fora, se acomodando, a extraordin&aacute;ria oportunidade de ter vivido.</div>
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<div id="_mcePaste">Tendo consci&ecirc;ncia de que, cada homem foi feito, para fazer hist&oacute;ria. Que todo homem &eacute; um milagre e traz em si uma revolu&ccedil;&atilde;o. Que &eacute; mais do que sexo ou dinheiro. Voc&ecirc; foi criado, para construir pir&acirc;mides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interroga&ccedil;&otilde;es na m&atilde;o e uma caixa de possibilidades na outra. N&atilde;o use Rider, n&atilde;o d&ecirc; f&eacute;rias a seus p&eacute;s. N&atilde;o se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu n&atilde;o disse!, eu sabia!</div>
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<div id="_mcePaste">Toda fam&iacute;lia tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almo&ccedil;o de domingo, tem que ag&uuml;entar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas n&atilde;o publicados. Empres&aacute;rios de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fant&aacute;sticas toda sexta de noite, todo s&aacute;bado e domingo, mas que na segunda n&atilde;o sabem concretizar o que falam. Porque n&atilde;o sabem ansear, n&atilde;o sabem perder a pose, porque n&atilde;o sabem recome&ccedil;ar. Porque n&atilde;o sabem trabalhar.</div>
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<div id="_mcePaste">Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 &agrave;s 12, de 12 &agrave;s 8 e mais se for preciso. Trabalho n&atilde;o mata. Ocupa o tempo. Evita o &oacute;cio, que &eacute; a morada do dem&ocirc;nio, e constr&oacute;i prod&iacute;gios.</div>
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<div id="_mcePaste">O Brasil, este pa&iacute;s de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol constru&iacute;ram, em menos de 50 anos, a 2&ordf; maior megapot&ecirc;ncia do planeta. Enquanto n&oacute;s, os espertos, constru&iacute;mos uma das maiores impot&ecirc;ncias do trabalho.</div>
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<div id="_mcePaste">Trabalhe! Muitos de seus colegas dir&atilde;o que voc&ecirc; est&aacute; perdendo sua vida, porque voc&ecirc; vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque voc&ecirc; vai trabalhar, enquanto eles v&atilde;o ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que &eacute; mesmo o senhor da raz&atilde;o, vai bendizer o fruto do seu esfor&ccedil;o, e s&oacute; o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados n&atilde;o conhecer&atilde;o.</div>
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<div id="_mcePaste">E isso se chama sucesso.</div>
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<div id="_mcePaste">Por &uacute;ltimo, pe&ccedil;o-lhes que, em tudo que fizerem, no trabalho e fora dele, amem e honrem a Bahia. Amem a Bahia sobre todas as coisas, exceto Deus. Terra especial, verdadeiramente m&aacute;gica, esta cidade j&aacute; era a capital do Atl&acirc;ntico quando Nova Iorque era uma vila. 70% dela &eacute; negra. E o negro deu a ela tudo especial que ela tem, com exce&ccedil;&atilde;o do mar.</div>
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<div id="_mcePaste">Pois, fa&ccedil;amos n&oacute;s, administradores de hoje, uma Bahia racialmente democr&aacute;tica, orgulhosa de si mesma. E que o exemplo de Maria Quit&eacute;ria, Joana Ang&eacute;lica, de nossos pais que lutaram por n&oacute;s em Itaparica, nos inspirem a uma Bahia guerreira. A Bahia que conduziu o Brasil &agrave; independ&ecirc;ncia, conduza agora o Brasil &agrave; prosperidade. Ama a tua terra. Cada pedra desta cidade &eacute; sagrada. Cada peda&ccedil;o dela foi erguido com sangue. Ningu&eacute;m tem mais motivos para ser her&oacute;i que um baiano. Poucas terras foram agraciadas com tanto motivo para viver e para morrer. Com poucos, Deus foi t&atilde;o generoso em riquezas e talentos. Num mundo conturbado, temos alegria. Nem a Su&iacute;&ccedil;a em sua fartura pode competir com esta Bahia pobre, que canta, sabe Deus porque e como.</div>
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<div id="_mcePaste">Por isso mesmo, meu amigo, n&atilde;o tenha medo em nenhum momento do seu percurso. Mesmo que voc&ecirc; n&atilde;o creia, haver&aacute; sempre a seu lado um Orix&aacute;. Um ser encantado. Fazendo milagres a seu pedido. Encantando os estrangeiros com seu jeito e seu sotaque. Derretendo a m&aacute; vontade com seu sorriso. Porque, mesmo que voc&ecirc; n&atilde;o mere&ccedil;a, Deus decidiu, sabe l&aacute; porque, lhe proteger. E, tendo tanto lugar nesse mundo para colocar voc&ecirc;, o criador lhe tirou da fila e, sabe l&aacute; porque, lhe deu uma senha privilegiada e a responsabilidade de nascer na Bahia.</div>
<p>&nbsp;</p>]]></content></entry><entry><title>Direito Autoral - Vamos ter que mexer, e vai ter que andar.</title><category term="artigos"/><category term="direitos autorais"/><id>http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/4/21/direito-autoral-vamos-ter-que-mexer-e-vai-ter-que-andar.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/4/21/direito-autoral-vamos-ter-que-mexer-e-vai-ter-que-andar.html"/><author><name>@PedroTourinho</name></author><published>2013-04-21T14:15:51Z</published><updated>2013-04-21T14:15:51Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<div id="_mcePaste">Vamos falar de direitos autorais. Nos ultimos dias a discuss&atilde;o voltou a tona com uma carta que circulou em defesa do Ecad, com assinaturas de alguns medalh&otilde;es da m&uacute;sica brasileira e de alguns outros autores, o que provocou uma rea&ccedil;&atilde;o dos que pensam do outro jeito.</div>
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<div id="_mcePaste">Mas na verdade, o assunto est&aacute; quente mesmo no Brasil por dois motivos. Primeiro porque a CPI do Ecad acabou por desvendar situa&ccedil;&otilde;es estranh&iacute;ssimas no sistema, apontou culpados e gerou um projeto de lei, o PL 129, que prop&otilde;e uma s&eacute;rie de medidas para tornar o processo mais claro e democr&aacute;tico. E segundo porque o Minist&eacute;rio da Cultura tamb&eacute;m est&aacute; colocando em pauta no Congresso sua nova proposta de lei para os direitos autorais, que teve sua gesta&ccedil;&atilde;o no tempo do Gil e Juca no Minist&eacute;rio, passou um per&iacute;odo em banho-maria na gest&atilde;o de Ana de Holanda, e que agora com Marta Suplicy volta com tudo. Os autores s&atilde;o os grandes interessados, l&oacute;gico, mas em tempos digitais, essas decis&otilde;es s&atilde;o efetivamente de interesse p&uacute;blico, e impactam todos que algum dia j&aacute; subiram um v&iacute;deo no Youtube. Ou seja, h&aacute; muito o que ser discutido.&nbsp;</div>
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<div id="_mcePaste">Caetano, hoje em sua coluna semanal, coloca a bola em campo e pede para que as fac&ccedil;&otilde;es, que de forma simplista s&atilde;o divididas entre pr&oacute;-Ecad e contra-Ecad, sentem para conversar e chegar numa conclus&atilde;o. E de fato o que mais me assusta nessa hist&oacute;ria toda, &eacute; a falta de dialogo e de entendimento sobre a quest&atilde;o. Eu, que sou novo entrante, acredito que a solu&ccedil;&atilde;o desse dilema passe por dois pontos: procurar saber mais e procurar solu&ccedil;&otilde;es novas.</div>
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<div id="_mcePaste">Procurar saber mais porque &eacute; inaceit&aacute;vel que publicamente n&atilde;o se sa&iacute;ba at&eacute; hoje como as regras e os processos de arrecada&ccedil;&otilde;es de direitos autorais exatamente funcionam. O Ecad &eacute; o &uacute;nico instrumento de arrecada&ccedil;&atilde;o que tem o direito exclusivo e p&uacute;blico para arrecadar e distribuir todo dinheiro proveniente da execu&ccedil;&atilde;o de obras no Brasil, mas n&atilde;o sofre nenhum tipo de fiscaliza&ccedil;&atilde;o, acompanhamento ou controle. Quem est&aacute; l&aacute;, faz o que quer. Os autores, por outro lado, acomodados com o dinheirinho, ou dinheir&atilde;o, que pinga todo m&ecirc;s, tamb&eacute;m em geral parecem pouco interessados em entender qual a formula, e se a conta est&aacute; correta ou n&atilde;o. E assim a vida segue, sem grandes questionamentos, sem grandes transforma&ccedil;&otilde;es. Essa atitude t&ecirc;m de mudar.</div>
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<div id="_mcePaste">E, por fim, temos de procurar solu&ccedil;&otilde;es novas porque a impress&atilde;o que d&aacute; &eacute; que estamos tratando de um problema novo, com uma solu&ccedil;&atilde;o antiga. O Ecad foi a solu&ccedil;&atilde;o encontrada em 1973 para resolver a quest&atilde;o dos direitos autorais no Brasil, e foi essa ferramente que nos trouxe at&eacute; aqui. Agora, o cen&aacute;rio mudou. Em tempos de<em> long tail</em>, direito autoral n&atilde;o &eacute; um direito de poucos, mas de muitos. A industria do entretenimento, que se nutre da criatividade desses autores, est&aacute; mais forte e concentrada do que nunca, ao passo que, com a revolu&ccedil;&atilde;o digital, o mercado musical n&atilde;o s&oacute; cresceu o bolo dos grandes grupos, mas tamb&eacute;m entrou na casa e nos aparelhos celulares de todos os cidad&atilde;os via banda larga.
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A tecnologia mudou o mercado da m&uacute;sica e o cen&aacute;rio dos direitos autorais no Brasil, e certamente ser&aacute; tamb&eacute;m a tecnologia a grande ferramenta para resolver essa quest&atilde;o de arrecada&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de valores provenientes de direitos autorais que se coloca. Novos problemas pedem novas solu&ccedil;&otilde;es, se o Ecad n&atilde;o se reinventou nos &uacute;ltimos 40 anos para lidar com o futuro, que hoje se faz presente, ent&atilde;o n&oacute;s temos que reinventar o Ecad, ou o que quer que seja, para poder lidar com clareza e transpar&ecirc;ncia com o mundo em que vivemos. Um sistema inteiro informatizado, sem associa&ccedil;&otilde;es ou org&atilde;os de arrecada&ccedil;&otilde;es, onde cada autor seja capaz de visualizar em tempo real onde as suas m&uacute;sicas est&atilde;o tocando? Por que n&atilde;o?</div>
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<div id="_mcePaste">Temos de focar na quest&atilde;o em si, sem medo e sem polariza&ccedil;&atilde;o. Procurar saber mais, procurar solu&ccedil;&otilde;es novas, sentar para conversar, como disse Caetano. &Eacute; dif&iacute;cil, ainda mais para quem est&aacute; na estrada a tanto tempo, e que j&aacute; viu movimenta&ccedil;&otilde;es como essas diversas vezes, mas como tamb&eacute;m disse Caetano, &ldquo;n&atilde;o &eacute; &lsquo;se mexer, desaba&rsquo;; &eacute; &lsquo;se n&atilde;o pode mexer, n&atilde;o anda&rsquo;.&rdquo; E agora n&atilde;o temos mais essa op&ccedil;&atilde;o, vamos ter que mexer, e vai ter que andar.</div>
<p>&nbsp;</p>]]></content></entry><entry><title>2nd Screen do Lolla</title><id>http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/3/26/2nd-screen-do-lolla.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/3/26/2nd-screen-do-lolla.html"/><author><name>@PedroTourinho</name></author><published>2013-03-26T12:59:57Z</published><updated>2013-03-26T12:59:57Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<div id="_mcePaste">Como se n&atilde;o j&aacute; bastassem todas as loucuras que a produ&ccedil;&atilde;o de um festival como o Lollapalooza implica, o que seria da vida se a gente n&atilde;o pudesse criar outras mais?</div>
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<p>Quem me acompanha h&aacute; alguns anos sabe que sou um entusiasta das telas e do consumo simultaneo de v&aacute;rias m&iacute;dias. Desde o in&iacute;cio da minha vida digital, comentado tudo e todos durante v&aacute;rios programas de TV e acontecimentos real time, como a morte de Michael Jackson, at&eacute; mesmo a especial produ&ccedil;&atilde;o do programa legend&aacute;rios, uma das primeira e mais completas experi&ecirc;ncias transm&iacute;dia da tv.</p>
<p><br />Meu sonho era fazer um programa de TV em que o apresentador pudesse dizer: &ldquo;ligue seu computador, coloque ao lado da TV e tenha uma experi&ecirc;ncia muito melhor do nosso show!&rdquo;, e Marcos Mion realizou esse sonho.</p>
<p>Agora, na GEO, a minha tela &eacute; ao vivo. N&atilde;o tem bordas, nem limites. Nem mesmo o tempo &eacute; limite, porque um bom show ao vivo perdura para sempre em nossa mem&oacute;ria.</p>
<p><br />Mas fica em mim o v&iacute;cio e a ansiedade em n&atilde;o perder oportunidades. O Lollapalooza &eacute; transmitido ao vivo e &agrave; cores, pelo Multishow, G1, e pelos olhares, fotos e coment&aacute;rios de milhares de pessoas que estar&atilde;o assistindo ao show ao vivo, e que tamb&eacute;m, porque n&atilde;o, estar&atilde;o assistindo o show pela TV. Por que n&atilde;o ajudar a oferecer uma melhor experi&ecirc;ncia para quem esta vivendo nosso show em qualquer tela que ele esteja?</p>
<p><br />Trabalhamos desde o in&iacute;cio da constru&ccedil;&atilde;o de uma segunda tela para o Lolla. Um ambiente em que nossa equipe de conte&uacute;do, junto com todos que est&atilde;o assistindo, poder&aacute; oferecer mais informa&ccedil;&otilde;es, metadata, v&iacute;deos, fotos e olhares de diversos pontos, para enriquecer a exper&ecirc;ncia do ao vivo. Tudo numa s&oacute; timeline.</p>
<p><br />Putz, mas na hora de fazer a melhor plataforma poss&iacute;vel, faltou grana. Tinhamos parceiros com uma ferramenta completa, pronta e operante, que nos daria um mundo de possibilidades, mas que tava bem acima para nosso or&ccedil;amento, at&eacute; porque, n&atilde;o &eacute; sempre que se tem or&ccedil;amento para a novidade. Por isso sou f&atilde; do Google, que dizem ter 10% de todo seu or&ccedil;amento dedicado &agrave; realizar novidades imprevistas.</p>
<p><br />Mas como diz meu mestre Nizan, &eacute; melhor fazer aproximadamente agora do que exatamente nunca, e vamos colocar o bloco na rua com as armas que temos: uma equipe digital com talento e dedica&ccedil;&atilde;o acima da m&eacute;dia, uma aba bem feita no facebook e o conte&uacute;do de um dos melhores festivais de m&uacute;sica do mundo. Para qu&ecirc; mais?</p>
<p><br />Portanto, seja qual for a tela que voc&ecirc; esteja assistindo ao Lolla, como disse Mion, coloque o seu computador ou smartphone ao lado, e fique ligado em nossa p&aacute;gina do Facebook. Sua experi&ecirc;ncia ser&aacute; muito mais completa.</p>
<p><a href="https://www.facebook.com/LollapaloozaBR">https://www.facebook.com/LollapaloozaBR</a></p>
<p><span class="full-image-block ssNonEditable"><span><img style="width: 650px;" src="http://www.pedrotourinho.me/storage/aba_second_screen_dia29.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1364303034645" alt="" /></span></span></p>]]></content></entry><entry><title>Salvador, Eu amo, Eu Cuido</title><category term="artigos"/><category term="bahia"/><category term="correio"/><category term="rio"/><id>http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/10/salvador-eu-amo-eu-cuido.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/10/salvador-eu-amo-eu-cuido.html"/><author><name>@PedroTourinho</name></author><published>2013-01-10T12:20:03Z</published><updated>2013-01-10T12:20:03Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p>Ano novo. Prefeito novo. Cidade nova. Apoiada em todo o trabalho que nossa prefeitura mostrou nos primeiros dias de governo, a onda de otimismo que j&aacute; era grande ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es, se tudo der certo, tende a tornar-se um tsunami transformador e revigorante para a nossa cidade. &nbsp;Oxal&aacute; d&ecirc; folego e for&ccedil;a ao nosso prefeito, pois temos muito trabalho pela frente. Mas, verdade seja dita, nem tudo depende dele.</p>
<p>Pior do que a aus&ecirc;ncia de uma lideran&ccedil;a, Salvador teve nos &uacute;ltimos oito anos um l&iacute;der, na melhor das hip&oacute;teses, leniente. N&atilde;o posso afirmar o quanto foi infrator, mas &eacute; mais do que evidente a forma como sua gest&atilde;o deixou correr solta todo e qualquer tipo de ilegalidade, desde a mais inofensiva infra&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito aos mais danosos crimes da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria.&nbsp;</p>
<p><br />E, em tempos de desordem, o que parece &eacute; que a popula&ccedil;&atilde;o de Salvador entra em autom&aacute;tico processo de regress&atilde;o e volta &agrave; rampa do mercado. Com&eacute;rcio desordenado, falta de respeito, de humanidade e de civilidade. Cheiro de mijo pelas ruas. Esse &eacute; o retrato recorrente da nossa cidade h&aacute; 400 anos.&nbsp;</p>
<p><br />Pois bem. Temos um l&iacute;der. N&atilde;o vou entrar muito neste ponto porque sei que Neto n&atilde;o tem muita afei&ccedil;&atilde;o a puxa-saquismo, e n&atilde;o quero nem de longe correr o risco de ser enquadrado nessa categoria. Mas os fatos est&atilde;o a&iacute;, e contra eles n&atilde;o h&aacute; argumentos. Vimos mais gest&atilde;o nos primeiros oito dias de Neto na prefeitura do que nos oito anos de Jo&atilde;o Henrique e, pela quantidade de trabalho a ser feito, ele n&atilde;o ter&aacute; outra op&ccedil;&atilde;o a n&atilde;o ser seguir nesse ritmo.&nbsp;</p>
<p><br />A popula&ccedil;&atilde;o de Salvador precisa, individualmente, cada cidad&atilde;o, tamb&eacute;m se transformar. Depois de anos de mau exemplo, temos a oportunidade de fazer renascer no cora&ccedil;&atilde;o de cada soteropolitano n&atilde;o s&oacute; o amor pela cidade, mas tamb&eacute;m, e principalmente, o gosto em cuidar da cidade. O cuidado com a limpeza, a gentileza com o pr&oacute;ximo, a aten&ccedil;&atilde;o aos turistas, o respeito &agrave; hist&oacute;ria e a civilidade nas ruas. Esse &eacute; um trabalho que n&atilde;o acontece da noite para o dia, e que n&atilde;o pode partir isoladamente de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, privadas ou de ag&ecirc;ncias de publicidade. Esse tipo de iniciativa s&oacute; funciona quando surge tamb&eacute;m da pr&oacute;pria sociedade.</p>
<p><br />Um bom exemplo vem do Rio. Uma cidade que depois de passar por um processo parecido com o de Salvador, e diante do compromisso em hospedar os dois maiores eventos esportivos do mundo, se viu obrigada a encontrar um novo modelo de efici&ecirc;ncia administrativa com novos l&iacute;deres, e tamb&eacute;m a domesticar o lado ruim da malandragem carioca, sem qualquer tipo de repress&atilde;o, apenas exaltando o que h&aacute; de bom nos pequenos atos de amor &agrave; cidade.&nbsp;</p>
<p><br />Na vanguarda desta revolu&ccedil;&atilde;o municipal est&aacute; uma&nbsp;organiza&ccedil;&atilde;o que sempre chamou minha aten&ccedil;&atilde;o, chama-se Rio, Eu Amo, Eu Cuido.Como diz seu site, Rio, Eu Amo,&nbsp;Eu Cuido &eacute; um movimento de volunt&aacute;rios apaixonados pelo Rio que visa conscientizar os cariocas e entusiastas da cidade maravilhosa da import&acirc;ncia dos PEQUENOS GESTOS que est&atilde;o ao alcance de todos e s&atilde;o capazes de transformar a cidade.&nbsp;</p>
<p><br />O que mais me chamou aten&ccedil;&atilde;o no movimento? Durante muito tempo n&atilde;o se fazia a menor ideia de quem o estava liderando. N&atilde;o h&aacute; assinaturas ou fotos no site, n&atilde;o h&aacute; notinhas soltas na imprensa, soube muito depois que um amigo, o Joaquim Monteiro, est&aacute; de alguma forma envolvido, mas s&oacute;. Ou seja, n&atilde;o h&aacute; a menor inten&ccedil;&atilde;o de apropria&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das a&ccedil;&otilde;es. &Eacute; um movimento de cidad&atilde;os para cidad&atilde;os.</p>
<p><br />Para que essa onda de transforma&ccedil;&atilde;o de Salvador vire de fato um tsunami, precisamos de iniciativas desse tipo. Sem puxa-saquismo, sem market&ecirc;s ou politiqu&ecirc;s, apenas proatividade, boa vontade, boas a&ccedil;&otilde;es e bom senso. &Agrave; luz de uma nova lideran&ccedil;a, mas essencialmente do povo para o povo. &Eacute; da&iacute; que ressurge o que nossa terra mais precisa: cidadania.</p>
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<p>@PedroTourinho</p>
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<p>ps. artigo previamente publicado no Correio da Bahia do dia 8/01/2013</p>]]></content></entry><entry><title>São Paulo e a cultura dos Festivais</title><id>http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/so-paulo-e-a-cultura-dos-festivais.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/so-paulo-e-a-cultura-dos-festivais.html"/><author><name>@PedroTourinho</name></author><published>2013-01-06T11:25:52Z</published><updated>2013-01-06T11:25:52Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<div id="_mcePaste">Festivais de musica fazem muito bem a Sao Paulo.</div>
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<div id="_mcePaste">N&atilde;o aqueles festivais mais truqueiros, que juntam algumas bandas aleatorias, colocam embaixo de um nome generico qualquer, contratam promoter da casa para convidar e colocam shuttle service at&eacute; o anhembi. N&atilde;o &eacute; isso. Me refiro a festivais de verdade.</div>
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<div id="_mcePaste">Num Festival de verdade, tem muita gente que vai pelos headliners, bandas conhecidas cheias de hits e de grande p&uacute;blico, mas muito mais gente vai pelas outras atra&ccedil;&otilde;es, aquelas que s&oacute; ouviram falar, mas sabem que se est&atilde;o ali, &eacute; porque s&atilde;o boas. Um festival de verdade &eacute; um ambiente de descobertas. Novos hits, novas bandas, novas experi&ecirc;ncias.</div>
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<div id="_mcePaste">E exatamente por isso, num festival de verdade, voc&ecirc; tem que chegar cedo e se preparar para um dia inteiro de m&uacute;sica. Protetor solar, roupas leves, turma de amigos e cronograma planejado com as atra&ccedil;&otilde;es e palcos que desejam conhecer. A vivencia do Festival &eacute; muito mais rica com esse dever de casa pronto. &Eacute; preciso estudar um pouco antes para ter uma experi&ecirc;ncia mais completa.</div>
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<div id="_mcePaste">Outro ponto. Num Festival de verdade voc&ecirc; pode ir em fam&iacute;lia. &Eacute; uma programa&ccedil;&atilde;o para ir com pais, av&oacute;s e filhos. Com ambiente mais tranquilo, grandes espa&ccedil;os e programa&ccedil;&otilde;es capazes de agradar a quase todos os gostos e idades, um Festival &eacute; o evento ideal para curtir musica boa e de qualidade em fam&iacute;lia, mas para isso o festival tem de ser de verdade, n&atilde;o um truque.</div>
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<div id="_mcePaste">E voc&ecirc;s n&atilde;o imaginam como festivais assim podem fazer bem a qualquer cidade, mas especialmente a Sao Paulo. Vou citar dois exemplos de festivais urbanos que vivenciei este ano. O Lollapalooza em Chicago, e o Austin City Limits, em Austin. O primeiro recebe o Lolla h&aacute; 6 anos, no parque central da cidade, seu respectivo Ibirapuera. A cidade, uma das maiores metropoles do mundo, repira musica e se encontra inteira no festival. Festas tem&aacute;ticas, side shows, tomam conta da cidade e a comercio inteiro se beneficia. Em Austin, o impacto &eacute; ainda maior, pois a estranha capital do Texas e sua popula&ccedil;nao recebem pessoas do pa&iacute;s inteiro, engrossando o caldo da diversidade. Se Austin n&atilde;o vai at&eacute; o mundo, o mundo vai at&eacute; Austin.</div>
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<div id="_mcePaste">Agora, imaginem o efeito da cultura dos festivais numa cidade como S&atilde;o Paulo. Aqui, a vida cultural &eacute; dividida em nichos. Apesar do numero enorme de op&ccedil;&otilde;es e de possibilidades, um morador desta cidade pode nascer, viver e morrer indo ao mesmo tipo de lugares, ouvindo as mesmas coisas, saindo com a mesma gente e sendo feliz. Isso porque apesar de dividida em nichos, cada nicho &eacute; um mundo inteiro. Sem duvidas um Festival capaz de voltar toda a aten&ccedil;&atilde;o da cidade para o mesmo ponto, criar a oportunidade de reunir diferentes publicos, diferentes gostos, ao redor da musica, podem fazer muito bem a qualquer cidade, mas especialmente a Sao Paulo.</div>
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<div id="_mcePaste">Uma cultura de Festival n&atilde;o se constroi da noite para o dia, Lollapalooza tem 21 anos nos Estados Unidos, Austin City Limmits tem 11 anos em Austin, e por a&iacute; vai. Mas em 2013 teremos o segundo ano do Lollapalooza em S&atilde;o Paulo, um festival que traz essa experi&ecirc;ncia de sua realiza&ccedil;&atilde;o em outras cidade e que foi desenvolvido e planejado exatamente para ocupar esse espa&ccedil;o na vida e no calend&aacute;rio da cidade. Vamos acompanhar, S&atilde;o Paulo precisa de um festival como o Lollapalooza, e o Lollapalooza precisa no Brasil estar numa cidade como S&atilde;o Paulo.&nbsp;</div>
<p>Sao Paulo e a cultura dos Festivais</p>
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<p><a href="http://www.twitter.com/pedrotourinho">@PedroTourinho</a></p>
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<p>ps. artigo anteriormente publicado, numa vers&atilde;o editada, na SP LifeStyle Magazine de Outubro</p>]]></content></entry><entry><title>Baby da Bahia</title><category term="artigos"/><category term="bahia"/><category term="correio"/><id>http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/baby-da-bahia.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/baby-da-bahia.html"/><author><name>@PedroTourinho</name></author><published>2013-01-06T11:20:10Z</published><updated>2013-01-06T11:20:10Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<div id="_mcePaste">N&atilde;o estamos mais na d&eacute;cada de 70, mas domingo tem show de Baby Consuelo na Concha Ac&uacute;stica do TCA. N&atilde;o consigo escrever sobre outra coisa sen&atilde;o isto, porque o evento &eacute;, por diversos motivos, um grande acontecimento em nosso cen&aacute;rio cultural.&nbsp;</div>
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<div id="_mcePaste">Falo com propriedade, pois j&aacute; assisti a esse show h&aacute; algumas semanas, no Rio, e ele nos oferece um espet&aacute;culo que vai muito al&eacute;m da qualidade musical, ou da emo&ccedil;&atilde;o em ouvir grandes sucessos na voz de quem os consagrou. O novo show de Baby nos oferece uma met&aacute;fora e um exemplo de como podemos re-produzir e re-significar nossa identidade enquanto baianos e brasileiros.&nbsp;</div>
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<div id="_mcePaste">Tudo come&ccedil;ou com o desejo de Pedro Baby de dividir o palco com sua m&atilde;e e com a certeza de que, sem d&uacute;vida, existe palco e p&uacute;blico para uma artista com a hist&oacute;ria de Baby Consuelo. Seu repert&oacute;rio, do tempo em que vivia a vida secular, muito al&eacute;m dos Novos Baianos, a coloca em p&eacute; de igualdade com qualquer diva da m&uacute;sica brasileira. Gal, Rita, Marisa. Faltava apenas o show.</div>
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<div id="_mcePaste">Baby conta que, ao receber o convite de Pedro para montar uma apresenta&ccedil;&atilde;o s&oacute; com seus sucessos, teve de consultar Deus para ver se poderia ir em frente. E como Deus poderia ser contra uma ideia como essa? Sinal verde concedido e Baby se entregou totalmente &agrave; dire&ccedil;&atilde;o do seu filho, que concebeu e dirigiu um espetaculo que passa por todos os grandes momentos da sua carreira, que se confundem com grandes momentos da m&uacute;sica brasileira nas d&eacute;cadas de 70 e 80.</div>
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<div id="_mcePaste">E, com chancela divina, Baby est&aacute; inteira no palco. Em estado puro. Em f&eacute; e festa. No repert&oacute;rio, o que fez de melhor. A Menina Dan&ccedil;a, Tudo Azul, Tel&uacute;rica, Todo Dia Era Dia de &Iacute;ndio, Masculino e Feminino, Tinindo Tricando, Acabou Chorare, Sorrir e Cantar como Bahia... Essa &uacute;ltima muito especial. Tamb&eacute;m nesse show, Caetano Veloso faz uma participa&ccedil;&atilde;o fenomenal cantando Menino do Rio, m&uacute;sica que comp&ocirc;s para Baby cantar.</div>
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<div>(aqui um video com um pouquinho do show!)</div>
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<p><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/YP3dZZVKSBA" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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<div id="_mcePaste">Os Novos Baianos est&atilde;o - separadamente - voltando pelas m&atilde;os de uma gera&ccedil;&atilde;o que ouviu, mas que n&atilde;o viveu os Novos Baianos nos palcos. &Eacute; a gera&ccedil;&atilde;o de Pedro Baby, produzindo esse show junto com sua m&atilde;e, e de Davi Moraes, que tamb&eacute;m rodou o pa&iacute;s com o show de 40 anos do Acabou Chorare junto com seu pai. &Eacute; a gera&ccedil;&atilde;o de Henrique Dantas, que levou 11 anos para concluir o document&aacute;rio Filhos de Jo&atilde;o. &Eacute; uma gera&ccedil;&atilde;o bem-sucedida, criada em outros tempos, que hoje pode trazer esses elementos da nossa cultura para um novo contexto, resignificando nossa identidade.&nbsp;</div>
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<div id="_mcePaste">E &nbsp;mais, n&atilde;o basta fazer, tem que ser bem feito. Com um time de produ&ccedil;&atilde;o de primeira linha, liderados por Paula Lavigne, o show de Baby foi produzido com o cuidado e a qualidade que grandes artistas merecem. Do figurino de Felipe Veloso a ilumina&ccedil;&atilde;o inteligente, do repert&oacute;rio aos arranjos originais, m&uacute;sicos jovens e hiperprofissionais, tudo foi feito para entregar ao p&uacute;blico uma apresenta&ccedil;&atilde;o com a qualidade dos grandes espet&aacute;culos. Vale o exemplo para nossa Bahia. Temos que nos produzir, nos apresentar, tendo como ponto de partida nossa hist&oacute;ria, nossa relev&acirc;ncia e nossa identidade. N&atilde;o podemos nos acomodar na falta de recursos, no p&uacute;blico aparentemente reduzido e na incredulidade dos incr&eacute;dulos. Significamos - de verdade - muito mais.</div>
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<div id="_mcePaste">Somos novos, mas somos baianos. Temos a obriga&ccedil;&atilde;o de fazer um movimento semelhante ao do filho de Baby, e guiar nossa terra por um novo/velho caminho. N&oacute;s, filhos da Bahia que deu certo, mas que negligenciamos a neglig&ecirc;ncia, temos o dever de atualizar nossas ra&iacute;zes e apresentar para um novo p&uacute;blico, do jeito certo, bem feito, elementos fundamentais da nossa exist&ecirc;ncia cultural enquanto baianos e brasileiros.</div>
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<div id="_mcePaste">S&oacute; assim poderemos garantir n&atilde;o s&oacute; o futuro da nossa terra, mas tamb&eacute;m a relev&acirc;ncia da nossa identidade nas gera&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o por vir. Viva os novos Novos Baianos.&nbsp;</div>
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<div id="_mcePaste">Nos vemos na Concha.</div>
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<p><a href="http://www.twitter.com/pedrotourinho">@PedroTourinho&nbsp;</a></p>
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<p>ps. artigo previamente publicado no Jornal Correio da Bahia, do dia 07/12/2012</p>]]></content></entry><entry><title>Cidade Negra</title><category term="artigos"/><category term="bahia"/><category term="correio"/><id>http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/cidade-negra.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/cidade-negra.html"/><author><name>@PedroTourinho</name></author><published>2013-01-06T11:15:19Z</published><updated>2013-01-06T11:15:19Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<div id="_mcePaste">Dentre todas as datas oficiais deste pa&iacute;s, talvez nenhuma seja t&atilde;o importante e funcional como o dia da Consci&ecirc;ncia Negra. Tanto pelo motivo em si, como tamb&eacute;m pelas discuss&otilde;es que desperta.</div>
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<div id="_mcePaste">Esta semana circulou nas redes sociais o v&iacute;deo em que Morgan Freeman afirma desprezar esse tipo de data, no caso, o m&ecirc;s de valoriza&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria negra nos EUA. Diz que se n&atilde;o h&aacute; m&ecirc;s da hist&oacute;ria branca, n&atilde;o deveria existir um m&ecirc;s da hist&oacute;ria negra, e que ele deseja ser reconhecido como Morgan Freeman, e n&atilde;o como preto, ou branco.</div>
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<div id="_mcePaste">Num n&iacute;vel pessoal, ele est&aacute; cert&iacute;ssimo. Todas as pessoas querem e devem ser reconhecidas pelo que s&atilde;o, independentemente de cor. Mas num n&iacute;vel de sociedade, &eacute; preciso reconhecer que as desigualdades s&atilde;o patentes e precisam ser resolvidas com pol&iacute;ticas ativas. N&atilde;o trata-se de compensa&ccedil;&atilde;o, embora isto fosse completamente aceit&aacute;vel, mas sim de reconhecer que h&aacute; um problema e trat&aacute;-lo. O racismo n&atilde;o ser&aacute; eliminado ignorando as diferen&ccedil;as, doen&ccedil;a alguma &eacute; curada sem tratamento.&nbsp;</div>
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<div id="_mcePaste">Coincid&ecirc;ncia ou n&atilde;o, li esses dias um livro revelador exatemente por destacar o &oacute;bvio. Chama-se Microagressions of Everyday Life, ou Microagress&otilde;es do Dia a Dia, escrito por Derald Wing Sue. A pesquisadora americana coloca &agrave; luz todas as microagress&otilde;es que pessoas de bem comentem, diariamente, sem perceber. &Eacute; o taxista que tem receio de parar para &nbsp;negros. A crian&ccedil;a negra confundida com menino de rua. A mulher v&iacute;tima de sexismo no trabalho, os gays convivendo com refer&ecirc;ncias caricatas. Formas de preconceito que est&atilde;o abaixo do n&iacute;vel da consci&ecirc;ncia e muito comuns em nossa cidade.</div>
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<div id="_mcePaste">Olhando por esse lado, faz todo sentido que o Dia da Consci&ecirc;ncia Negra em Salvador n&atilde;o seja feriado, pois em nossa terra essa consci&ecirc;ncia deve ser trabalhada todo &nbsp;dia. Afinal, como nos revelou este CORREIO no dia 20, a maior cidade negra fora da &Aacute;frica n&atilde;o se assume negra e sim, parda.&nbsp;</div>
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<div id="_mcePaste">Lembro que n&atilde;o entendia, e at&eacute; falava em certa cr&iacute;tica sobre a pol&iacute;tica do Il&ecirc; Aiy&ecirc; de n&atilde;o aceitar brancos ou pardos no bloco, mas depois, conversando com Vov&ocirc;, entendi: para sair no Il&ecirc;, mais do que ser negro, o indiv&iacute;duo tem de verdadeiramente se assumir negro. Se as pesquisas mostram que isso &eacute; coisa rara hoje, imagine h&aacute; quase 40 anos, quando foi fundado. Il&ecirc; Aiy&ecirc; &eacute; pol&iacute;tica afirmativa no Carnaval.</div>
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<div id="_mcePaste">Mesmo branco aguado que sou, agrade&ccedil;o todos os dias por ter nascido e me criado numa cidade negra. Longe da vibe NegaL&ocirc;ra, ofere&ccedil;o apenas meu testemunho: foi caminhando pela Liberdade, com M&atilde;e Hildelice, no Candeal com Alexandre Guedes ou experimentando a feijoada de M&atilde;e Santinha na sede do Cortejo Afro em Piraj&aacute;, que conheci o melhor da Bahia. &Eacute; dessa Bahia que me orgulho, e n&atilde;o da Pituba.</div>
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<div id="_mcePaste">Na semana &nbsp;que tamb&eacute;m celebra a posse do primeiro negro presidente do Supremo Tribunal Federal, n&atilde;o nos cabe fechar os olhos para as diferen&ccedil;as, mas sim, destac&aacute;-las. Morgan Freeman est&aacute; certo quando diz que se n&atilde;o h&aacute; necessidade de um m&ecirc;s da hist&oacute;ria dos brancos, tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; necessidade de um m&ecirc;s da hist&oacute;ria dos negros, e que &eacute; preciso reconhecer os indiv&iacute;duos independentemente da sua cor ou origem. Apesar de correto, esse &eacute; o tipo de pensamento que, no &acirc;mbito coletivo, n&atilde;o ajuda a resolver o problema que est&aacute; na mesa. Se o melhor de cada um de n&oacute;s vem da diversidade e da adversidade, o primeiro passo &eacute; reconhecer que elas existem.</div>
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<p><a href="http://www.twitter.com/pedrotourinho">@PedroTourinho&nbsp;</a></p>
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<p>ps. artigo previamente publicado no Jornal Correio da Bahia, do dia 24/11/2012</p>]]></content></entry><entry><title>A Jornada do eleitor começa com o voto</title><category term="artigos"/><category term="bahia"/><category term="correio"/><id>http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/a-jornada-do-eleitor-comeca-com-o-voto.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/a-jornada-do-eleitor-comeca-com-o-voto.html"/><author><name>@PedroTourinho</name></author><published>2013-01-06T11:12:13Z</published><updated>2013-01-06T11:12:13Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<div id="_mcePaste">Depois de uma maratona eleitoral de meses, chegamos ao fim de semana em que o povo soteropolitano ter&aacute; de decidir quem ser&aacute; seu governante pelos pr&oacute;ximos quatro, prov&aacute;veis oito anos. Neste per&iacute;odo, fomos expostos a tanta informa&ccedil;&atilde;o, tantos pr&oacute;s e contras, proje&ccedil;&otilde;es catastr&oacute;ficas ou maravilhosas de futuro, que no final o mais dif&iacute;cil mesmo &eacute; colocar a cabe&ccedil;a no lugar e decidir.</div>
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<div id="_mcePaste">Ali&aacute;s, vivemos num tempo em que fazer escolhas est&aacute; se tornando algo cada vez mais complicado. Um estudo recente da Ucla comprovou que uma das maiores fontes de estresse no homem contempor&acirc;neo s&atilde;o suas escolhas. Primeiro, porque da forma como elas nos s&atilde;o apresentadas, n&atilde;o h&aacute; como n&atilde;o se frustrar, e segundo, porque &eacute; grande a tend&ecirc;ncia de transferir para o objeto escolhido, a responsabilidade sobre a decis&atilde;o.&nbsp;</div>
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<div id="_mcePaste">Na pol&iacute;tica, estas caracter&iacute;sticas s&atilde;o ainda mais fortes. Seja em Salvador, seja nos Estados Unidos, pol&iacute;ticos est&atilde;o mais preocupados em oferecer aos seus eleitores exatamente o que eles querem ouvir, do que de fato sustentar suas pr&oacute;prias agendas. As propostas s&atilde;o parecid&iacute;ssimas, afinal trata-se do mesmo eleitorado, com as mesmas necessidades, e muitas vezes o que decide o voto &eacute; mais a embalagem do que o conte&uacute;do. Elei&ccedil;&atilde;o ganha, desembalamos os presentes, agendas pessoais aparecem e todos ficam frustrados.</div>
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<div id="_mcePaste">Al&eacute;m disso, temos uma cultura eleitoreira paternalista que faz com que as expectativas em rela&ccedil;&atilde;o aos candidatos sejam praticamente inalcan&ccedil;&aacute;veis. De um lado temos candidatos que prometem mundo e fundos, e do outro um eleitorado que acredita que todos os seus problemas ser&atilde;o resolvidos na urna eletr&ocirc;nica.&nbsp;</div>
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<div id="_mcePaste">E nesse jogo, acabamos por superestimar nossas escolhas quando, na verdade, a grande for&ccedil;a da decis&atilde;o est&aacute; muito mais em quem decide, do que na escolha em si.</div>
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<div id="_mcePaste">Neste domingo, Salvador tem de ir &agrave;s urnas n&atilde;o s&oacute; para escolher entre um ou outro governante, mas tamb&eacute;m para se comprometer em conjunto com um rumo a ser tomado. Assumir que o futuro da nossa cidade est&aacute; nas m&atilde;os n&atilde;o de um, ou de outro, mas sim de cada um de n&oacute;s. A urna eletr&ocirc;nica n&atilde;o &eacute; um eletrodom&eacute;stico, onde basta apertar o bot&atilde;o para que os problemas sejam resolvidos, muito pelo contr&aacute;rio. A jornada do eleitor n&atilde;o termina, mas sim, come&ccedil;a com o voto.</div>
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<div id="_mcePaste">Esta cidade, ber&ccedil;o de Maria Quit&eacute;rias, Negras Zeferinas e Il&ecirc;s Ayi&ecirc;s, por sua hist&oacute;ria, j&aacute; optou pela independ&ecirc;ncia, agora s&oacute; falta manter o compromisso com ela.</div>
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<div id="_mcePaste">No domingo, temos de ir &agrave;s urnas como quem se alista numa revolu&ccedil;&atilde;o, como quem se compromete com uma causa. Em quest&atilde;o, est&aacute; o futuro da nossa cidade. Qualquer que seja o eleito, vamos brigar todos os dias, e n&atilde;o apenas no dia da elei&ccedil;&atilde;o, para que seja feita nossa vontade.</div>
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<div id="_mcePaste">O futuro da cidade n&atilde;o est&aacute; nas m&atilde;os de um ou dois, mas na consci&ecirc;ncia e ativismo de toda popula&ccedil;&atilde;o. Esta jornada est&aacute; apenas come&ccedil;ando.</div>
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<p><a href="http://www.twitter.com/pedrotourinho">@PedroTourinho&nbsp;</a></p>
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<p>ps. artigo previamente publicado no Jornal Correio da Bahia, do dia 22/10/2012</p>
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<p>&nbsp;</p>]]></content></entry><entry><title>O drama da cidade que se enforcou no próprio abadá</title><category term="artigos"/><category term="bahia"/><category term="correio"/><id>http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/o-drama-da-cidade-que-se-enforcou-no-proprio-abada.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/o-drama-da-cidade-que-se-enforcou-no-proprio-abada.html"/><author><name>@PedroTourinho</name></author><published>2013-01-06T11:08:24Z</published><updated>2013-01-06T11:08:24Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<div id="_mcePaste">Na &uacute;ltima semana, aconteceu em S&atilde;o Paulo o VMB, Video Music Brasil, que &eacute; a premia&ccedil;&atilde;o da MTV no pa&iacute;s, que apesar de tudo, ainda &eacute; a maior emissora musical de TV que temos. Ap&oacute;s um hiato de premia&ccedil;&otilde;es com votos populares pela web, em que a qualidade ficou em segundo plano, este ano fizeram um esquema diferente, onde prevaleceu a m&uacute;sica.</div>
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<div id="_mcePaste">Na atual crise da Bahia, e em especial da m&uacute;sica baiana, era de se esperar que n&atilde;o tiv&eacute;ssemos nenhum representante na premia&ccedil;&atilde;o. Zero. Afinal, se est&aacute; dif&iacute;cil segurar as pontas em casa, imagina numa emissora paulistana, cujos &uacute;ltimos clipes de ax&eacute;-music foram exibidos apenas para virar piada de humoristas.</div>
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<div id="_mcePaste">Pois bem. Preciso contar uma coisa para voc&ecirc;s. Dos cinco indicados para melhores &aacute;lbuns do ano, tr&ecirc;s eram baianos. Um deles, inclusive, totalmente dedicado a falar da nossa cidade, com uma das m&uacute;sicas mais bonitas j&aacute; escritas sobre Salvador, e um outro, no seu refr&atilde;o mais conhecido de uma de suas m&uacute;sicas, diz que &ldquo;eu s&oacute; queria passar um tempo l&aacute; em casa, me deu saudade da Bahia.&rdquo; S&atilde;o baianos, falando da Bahia em rede nacional, mas que n&atilde;o t&ecirc;m espa&ccedil;o na pr&oacute;pria cidade.&nbsp;</div>
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<div id="_mcePaste">Hoje, j&aacute; com o leite derramado, est&aacute; evidente como a ind&uacute;stria do Carnaval profissional acabou por dominar de tal forma o mainstream cultural da cidade, empurrando o que fosse diferente para guetos musicais como o Rio Vermelho e a &nbsp;madrugada dos circuitos carnavalescos, impedindo a maioria do povo de ao menos conhecer outro tipo de m&uacute;sica tamb&eacute;m feita aqui. E com o fim da festa e a crise no ax&eacute;, n&atilde;o teve outra: Salvador se enforcou no seu pr&oacute;prio abad&aacute;.&nbsp;</div>
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<div id="_mcePaste">Cascadura, Agridoce e Vivendo do &Oacute;cio s&atilde;o alguns dos exemplos, que junto com Marcia Castro, Baiana System e Orquestra Rumpilezz acabam por muitas vezes encontrar maior reconhecimento no resto do mundo do que em sua pr&oacute;pria casa. E, em casa, discutimos a proibi&ccedil;&atilde;o de baixaria nas letras de pagode, sem termos tentado ao menos colocar uma outra op&ccedil;&atilde;o de prato &agrave; mesa.</div>
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<div id="_mcePaste">Uma hora a onda deste lan&ccedil;a-perfume vai passar, e talvez j&aacute; n&atilde;o reste mais nada que preste na Pra&ccedil;a Castro Alves. Por isso chame, chame, chame, chame gente. Vamos abrir os caminhos para que &nbsp;a magia aconte&ccedil;a, e para que o povo conhe&ccedil;a sua pr&oacute;pria obra. Uma cidade fundada na diferen&ccedil;a, n&atilde;o pode se dar ao luxo de n&atilde;o conhecer os seus. Salvador n&atilde;o &eacute; um bloco, Salvador &eacute; muito mais do que o Carnaval.</div>
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<p><a href="http://www.twitter.com/pedrotourinho">@PedroTourinho&nbsp;</a></p>
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<p>ps. artigo previamente publicado no Jornal Correio da Bahia do dia 22 de Setembro de 2012</p>]]></content></entry><entry><title>O que não falta na Bahia é auto-elogio.</title><category term="artigos"/><category term="bahia"/><category term="correio"/><id>http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/o-que-no-falta-na-bahia-e-auto-elogio.html</id><link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.pedrotourinho.me/stream/2013/1/6/o-que-no-falta-na-bahia-e-auto-elogio.html"/><author><name>@PedroTourinho</name></author><published>2013-01-06T11:03:30Z</published><updated>2013-01-06T11:03:30Z</updated><content type="html" xml:lang="pt-BR"><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div id="_mcePaste">Escrever para a Bahia &eacute; andar num campo minado. Aqui em S&atilde;o Paulo costumo dizer que quem pode falar mal da Bahia sou eu, que sou baiano. Para eles n&atilde;o dou tal ousadia. Pois bem, ao come&ccedil;ar a escrever essa coluna, pensei: ser&aacute; que para os baianos eu sou menos baiano por estar fora da Bahia? Ser&aacute; que esta permitido para mim tocar o pau em quest&otilde;es mais delicadas do ufanismo baiano? D&uacute;vida.</div>
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<div id="_mcePaste">A triste verdade &eacute; que hoje em dia esta cada vez mais dif&iacute;cil falar da Bahia sem falar mal da Bahia. Da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria corrupta. Do sistema educacional falido. Da industria do Carnaval, que como uma doen&ccedil;a auto-imune, se destroi ao tentar irracionalmente se proteger. Do racismo estrutural. Da elite tacanha. Da di&aacute;spora de talentos. Da cal&ccedil;ada do porto da barra. E por a&iacute; vai. Esta dif&iacute;cil n&atilde;o ser repetitivo na ladainha.</div>
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<div id="_mcePaste">Sentiria-me meio esquizofrenico se usasse esse espa&ccedil;o para tecer versos e alegorias sobre a beleza das nossas praias, a riqueza cultural do nosso povo, a alegria de nossas festas ou sobre a robustez da nossa economia, diante do estado que nosso Estado est&aacute;. Al&eacute;m do que, teria possivelmente de tomar um prozac antes de come&ccedil;ar a escrever cada texto, e pior, n&atilde;o estaria colaborando em nada na costru&ccedil;&atilde;o da terra onde ainda hei de viver, pois se h&aacute; uma coisa que n&atilde;o falta na Bahia &eacute; auto-elogio.</div>
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<div id="_mcePaste">Terra onde hei de viver, pois, pelo menos no meu caso, esse &eacute; o objetivo, o sonho. N&atilde;o sa&iacute; da Bahia porque quis. Como disse Caetano, "Eu n&atilde;o queria sair de Santo Amaro. Sa&iacute; de l&aacute; sem vontade de sair", e &eacute; isso mesmo. Sa&iacute; de Salvador porque a cidade n&atilde;o oferecia, e n&atilde;o oferece, condi&ccedil;&otilde;es para eu exercer minha voca&ccedil;&atilde;o. Simples assim. N&atilde;o me sinto nem melhor nem pior dos que os que ficaram, simplesmente este n&atilde;o foi o meu caso.</div>
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<div id="_mcePaste">Lembro que h&aacute; alguns anos, quando trabalhava com um grande publicit&aacute;rio baiano num projeto delicado e popular ligado a &nbsp;Bahia, ele me disse: "Pedro, tenha todo cuidado do mundo, porque n&oacute;s n&atilde;o podemos nos fuder na Bahia. Se tudo der errado, &eacute; para c&aacute; que vamos voltar." Lembro que na tens&atilde;o do momento eu concordei, e com um pouco de medo, fiz de tudo para dar tudo certo, do jeito certo, como deu. Hoje discordo do raciocinio do meu ent&atilde;o chefe. Acho que &eacute; exatamente o oposto: se tudo der certo &eacute; para c&aacute; que iremos voltar. E temos que trabalhar, sem medo, para que a Bahia d&ecirc; certo.</div>
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<div id="_mcePaste">Portanto, como bom baiano que sou, declaro a melhor das minhas inten&ccedil;&otilde;es, coloco a cara a tapa e, mesmo sentindo-me em casa, pe&ccedil;o licen&ccedil;a para entrar. N&atilde;o nos cabe mais contemporizar, n&atilde;o vivemos numa propaganda do Governo da Bahia, e temos muito, mas muito trabalho a ser feito para arrumar nossa casa. Vamos em frente.</div>
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<div><a href="http://www.twitter.com/pedrotourinho">@PedroTourinho</a></div>
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<div><em>ps. artigo previamente publicado no Jornal Correio da Bahia do dia 01 de Setembro de 2012</em></div>
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