Segunda-feira
Abr292013

Nizan e o Sucesso

Faço questão de sempre saudar os mestre e mentores que passaram por minha vida, e não é segredo para ninguém que me conhece que Nizan Guanaes tenha sido um dos mais importantes.

Por conta dele estudei administração de empresas e posteriormente acabei me tornando publicitário. Por sua inspiração vim para São Paulo onde tive a sorte de, quase acidentalmente, trabalhar diretamente com ele, e tive o privilégio de passar um ano tete-a-tete com o mestre. Deu muito certo, e talvez se tivesse durado mais, tivesse sido demais, então quero crer foi o tempo certo. 

Muitos falam do temperamento difícil dele, mas sinceramente, não vivenciei nada disso. Nizan é como um orixá, uma força da natureza, e como tal, não se questiona nem a genialidade, nem a intempestividade, pois tanto uma coisa quanto outra é evidente e inevitável, apenas aceita-se. E eu tive a sorte ou a habilidade de ter passado por essa tempestade numa boa, só com bons aprendizados. Hoje, nos meus momentos de maior eficiencia, me pego no ritmo dele, quase o imitando.

Pois bem, parece bobo, mas resolvi escrever sobre Nizan porque reencontrei com um texto dele que tive contato logo no início da minha vida, e que me inspirou muito, e me inspira sempre. Uns conselhos que ele deu a uma turma de formandos na Bahia, e que de um jeito ou de outro acabaram um pouco por me definir. O texto circula pela internet, e é real, dele mesmo, pois já falei com o próprio sobre o assunto.

Vou publicar aqui no blog para vocês. Deixo-os com Nizan.

 

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Discurso do publicitário Nizan Guanaes como paraninfo de uma turma de formandos em Administração de Empresas na Bahia.

 

Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, sou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.

 

Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.

 

A propósito disso, lembro-me uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo. E ela responde: Eu também não, meu filho".

 

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

 

Meu segundo conselho: pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem, como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega a viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassú. Que era ficção, mas hoje é realidade, na pessoa de Geraldo Bulhões, Denilma e Rosângela, sua concubina.

 

Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito.

 

É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.

 

Tendo consciência de que, cada homem foi feito, para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse!, eu sabia!

 

Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansear, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

 

Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios.

 

O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.

 

Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão.

 

E isso se chama sucesso.

 

Por último, peço-lhes que, em tudo que fizerem, no trabalho e fora dele, amem e honrem a Bahia. Amem a Bahia sobre todas as coisas, exceto Deus. Terra especial, verdadeiramente mágica, esta cidade já era a capital do Atlântico quando Nova Iorque era uma vila. 70% dela é negra. E o negro deu a ela tudo especial que ela tem, com exceção do mar.

 

Pois, façamos nós, administradores de hoje, uma Bahia racialmente democrática, orgulhosa de si mesma. E que o exemplo de Maria Quitéria, Joana Angélica, de nossos pais que lutaram por nós em Itaparica, nos inspirem a uma Bahia guerreira. A Bahia que conduziu o Brasil à independência, conduza agora o Brasil à prosperidade. Ama a tua terra. Cada pedra desta cidade é sagrada. Cada pedaço dela foi erguido com sangue. Ninguém tem mais motivos para ser herói que um baiano. Poucas terras foram agraciadas com tanto motivo para viver e para morrer. Com poucos, Deus foi tão generoso em riquezas e talentos. Num mundo conturbado, temos alegria. Nem a Suíça em sua fartura pode competir com esta Bahia pobre, que canta, sabe Deus porque e como.

 

Por isso mesmo, meu amigo, não tenha medo em nenhum momento do seu percurso. Mesmo que você não creia, haverá sempre a seu lado um Orixá. Um ser encantado. Fazendo milagres a seu pedido. Encantando os estrangeiros com seu jeito e seu sotaque. Derretendo a má vontade com seu sorriso. Porque, mesmo que você não mereça, Deus decidiu, sabe lá porque, lhe proteger. E, tendo tanto lugar nesse mundo para colocar você, o criador lhe tirou da fila e, sabe lá porque, lhe deu uma senha privilegiada e a responsabilidade de nascer na Bahia.

 

Domingo
Abr212013

Direito Autoral - Vamos ter que mexer, e vai ter que andar.

Vamos falar de direitos autorais. Nos ultimos dias a discussão voltou a tona com uma carta que circulou em defesa do Ecad, com assinaturas de alguns medalhões da música brasileira e de alguns outros autores, o que provocou uma reação dos que pensam do outro jeito.

 

Mas na verdade, o assunto está quente mesmo no Brasil por dois motivos. Primeiro porque a CPI do Ecad acabou por desvendar situações estranhíssimas no sistema, apontou culpados e gerou um projeto de lei, o PL 129, que propõe uma série de medidas para tornar o processo mais claro e democrático. E segundo porque o Ministério da Cultura também está colocando em pauta no Congresso sua nova proposta de lei para os direitos autorais, que teve sua gestação no tempo do Gil e Juca no Ministério, passou um período em banho-maria na gestão de Ana de Holanda, e que agora com Marta Suplicy volta com tudo. Os autores são os grandes interessados, lógico, mas em tempos digitais, essas decisões são efetivamente de interesse público, e impactam todos que algum dia já subiram um vídeo no Youtube. Ou seja, há muito o que ser discutido. 

 

Caetano, hoje em sua coluna semanal, coloca a bola em campo e pede para que as facções, que de forma simplista são divididas entre pró-Ecad e contra-Ecad, sentem para conversar e chegar numa conclusão. E de fato o que mais me assusta nessa história toda, é a falta de dialogo e de entendimento sobre a questão. Eu, que sou novo entrante, acredito que a solução desse dilema passe por dois pontos: procurar saber mais e procurar soluções novas.

 

Procurar saber mais porque é inaceitável que publicamente não se saíba até hoje como as regras e os processos de arrecadações de direitos autorais exatamente funcionam. O Ecad é o único instrumento de arrecadação que tem o direito exclusivo e público para arrecadar e distribuir todo dinheiro proveniente da execução de obras no Brasil, mas não sofre nenhum tipo de fiscalização, acompanhamento ou controle. Quem está lá, faz o que quer. Os autores, por outro lado, acomodados com o dinheirinho, ou dinheirão, que pinga todo mês, também em geral parecem pouco interessados em entender qual a formula, e se a conta está correta ou não. E assim a vida segue, sem grandes questionamentos, sem grandes transformações. Essa atitude têm de mudar.

 

E, por fim, temos de procurar soluções novas porque a impressão que dá é que estamos tratando de um problema novo, com uma solução antiga. O Ecad foi a solução encontrada em 1973 para resolver a questão dos direitos autorais no Brasil, e foi essa ferramente que nos trouxe até aqui. Agora, o cenário mudou. Em tempos de long tail, direito autoral não é um direito de poucos, mas de muitos. A industria do entretenimento, que se nutre da criatividade desses autores, está mais forte e concentrada do que nunca, ao passo que, com a revolução digital, o mercado musical não só cresceu o bolo dos grandes grupos, mas também entrou na casa e nos aparelhos celulares de todos os cidadãos via banda larga.

 

A tecnologia mudou o mercado da música e o cenário dos direitos autorais no Brasil, e certamente será também a tecnologia a grande ferramenta para resolver essa questão de arrecadação e distribuição de valores provenientes de direitos autorais que se coloca. Novos problemas pedem novas soluções, se o Ecad não se reinventou nos últimos 40 anos para lidar com o futuro, que hoje se faz presente, então nós temos que reinventar o Ecad, ou o que quer que seja, para poder lidar com clareza e transparência com o mundo em que vivemos. Um sistema inteiro informatizado, sem associações ou orgãos de arrecadações, onde cada autor seja capaz de visualizar em tempo real onde as suas músicas estão tocando? Por que não?

 

Temos de focar na questão em si, sem medo e sem polarização. Procurar saber mais, procurar soluções novas, sentar para conversar, como disse Caetano. É difícil, ainda mais para quem está na estrada a tanto tempo, e que já viu movimentações como essas diversas vezes, mas como também disse Caetano, “não é ‘se mexer, desaba’; é ‘se não pode mexer, não anda’.” E agora não temos mais essa opção, vamos ter que mexer, e vai ter que andar.

 

Terça-feira
Mar262013

2nd Screen do Lolla

Como se não já bastassem todas as loucuras que a produção de um festival como o Lollapalooza implica, o que seria da vida se a gente não pudesse criar outras mais?

 

Quem me acompanha há alguns anos sabe que sou um entusiasta das telas e do consumo simultaneo de várias mídias. Desde o início da minha vida digital, comentado tudo e todos durante vários programas de TV e acontecimentos real time, como a morte de Michael Jackson, até mesmo a especial produção do programa legendários, uma das primeira e mais completas experiências transmídia da tv.


Meu sonho era fazer um programa de TV em que o apresentador pudesse dizer: “ligue seu computador, coloque ao lado da TV e tenha uma experiência muito melhor do nosso show!”, e Marcos Mion realizou esse sonho.

Agora, na GEO, a minha tela é ao vivo. Não tem bordas, nem limites. Nem mesmo o tempo é limite, porque um bom show ao vivo perdura para sempre em nossa memória.


Mas fica em mim o vício e a ansiedade em não perder oportunidades. O Lollapalooza é transmitido ao vivo e à cores, pelo Multishow, G1, e pelos olhares, fotos e comentários de milhares de pessoas que estarão assistindo ao show ao vivo, e que também, porque não, estarão assistindo o show pela TV. Por que não ajudar a oferecer uma melhor experiência para quem esta vivendo nosso show em qualquer tela que ele esteja?


Trabalhamos desde o início da construção de uma segunda tela para o Lolla. Um ambiente em que nossa equipe de conteúdo, junto com todos que estão assistindo, poderá oferecer mais informações, metadata, vídeos, fotos e olhares de diversos pontos, para enriquecer a experência do ao vivo. Tudo numa só timeline.


Putz, mas na hora de fazer a melhor plataforma possível, faltou grana. Tinhamos parceiros com uma ferramenta completa, pronta e operante, que nos daria um mundo de possibilidades, mas que tava bem acima para nosso orçamento, até porque, não é sempre que se tem orçamento para a novidade. Por isso sou fã do Google, que dizem ter 10% de todo seu orçamento dedicado à realizar novidades imprevistas.


Mas como diz meu mestre Nizan, é melhor fazer aproximadamente agora do que exatamente nunca, e vamos colocar o bloco na rua com as armas que temos: uma equipe digital com talento e dedicação acima da média, uma aba bem feita no facebook e o conteúdo de um dos melhores festivais de música do mundo. Para quê mais?


Portanto, seja qual for a tela que você esteja assistindo ao Lolla, como disse Mion, coloque o seu computador ou smartphone ao lado, e fique ligado em nossa página do Facebook. Sua experiência será muito mais completa.

https://www.facebook.com/LollapaloozaBR

Quinta-feira
Jan102013

Salvador, Eu amo, Eu Cuido

Ano novo. Prefeito novo. Cidade nova. Apoiada em todo o trabalho que nossa prefeitura mostrou nos primeiros dias de governo, a onda de otimismo que já era grande após as eleições, se tudo der certo, tende a tornar-se um tsunami transformador e revigorante para a nossa cidade.  Oxalá dê folego e força ao nosso prefeito, pois temos muito trabalho pela frente. Mas, verdade seja dita, nem tudo depende dele.

Pior do que a ausência de uma liderança, Salvador teve nos últimos oito anos um líder, na melhor das hipóteses, leniente. Não posso afirmar o quanto foi infrator, mas é mais do que evidente a forma como sua gestão deixou correr solta todo e qualquer tipo de ilegalidade, desde a mais inofensiva infração de trânsito aos mais danosos crimes da especulação imobiliária. 


E, em tempos de desordem, o que parece é que a população de Salvador entra em automático processo de regressão e volta à rampa do mercado. Comércio desordenado, falta de respeito, de humanidade e de civilidade. Cheiro de mijo pelas ruas. Esse é o retrato recorrente da nossa cidade há 400 anos. 


Pois bem. Temos um líder. Não vou entrar muito neste ponto porque sei que Neto não tem muita afeição a puxa-saquismo, e não quero nem de longe correr o risco de ser enquadrado nessa categoria. Mas os fatos estão aí, e contra eles não há argumentos. Vimos mais gestão nos primeiros oito dias de Neto na prefeitura do que nos oito anos de João Henrique e, pela quantidade de trabalho a ser feito, ele não terá outra opção a não ser seguir nesse ritmo. 


A população de Salvador precisa, individualmente, cada cidadão, também se transformar. Depois de anos de mau exemplo, temos a oportunidade de fazer renascer no coração de cada soteropolitano não só o amor pela cidade, mas também, e principalmente, o gosto em cuidar da cidade. O cuidado com a limpeza, a gentileza com o próximo, a atenção aos turistas, o respeito à história e a civilidade nas ruas. Esse é um trabalho que não acontece da noite para o dia, e que não pode partir isoladamente de instituições públicas, privadas ou de agências de publicidade. Esse tipo de iniciativa só funciona quando surge também da própria sociedade.


Um bom exemplo vem do Rio. Uma cidade que depois de passar por um processo parecido com o de Salvador, e diante do compromisso em hospedar os dois maiores eventos esportivos do mundo, se viu obrigada a encontrar um novo modelo de eficiência administrativa com novos líderes, e também a domesticar o lado ruim da malandragem carioca, sem qualquer tipo de repressão, apenas exaltando o que há de bom nos pequenos atos de amor à cidade. 


Na vanguarda desta revolução municipal está uma organização que sempre chamou minha atenção, chama-se Rio, Eu Amo, Eu Cuido.Como diz seu site, Rio, Eu Amo, Eu Cuido é um movimento de voluntários apaixonados pelo Rio que visa conscientizar os cariocas e entusiastas da cidade maravilhosa da importância dos PEQUENOS GESTOS que estão ao alcance de todos e são capazes de transformar a cidade. 


O que mais me chamou atenção no movimento? Durante muito tempo não se fazia a menor ideia de quem o estava liderando. Não há assinaturas ou fotos no site, não há notinhas soltas na imprensa, soube muito depois que um amigo, o Joaquim Monteiro, está de alguma forma envolvido, mas só. Ou seja, não há a menor intenção de apropriação política das ações. É um movimento de cidadãos para cidadãos.


Para que essa onda de transformação de Salvador vire de fato um tsunami, precisamos de iniciativas desse tipo. Sem puxa-saquismo, sem marketês ou politiquês, apenas proatividade, boa vontade, boas ações e bom senso. À luz de uma nova liderança, mas essencialmente do povo para o povo. É daí que ressurge o que nossa terra mais precisa: cidadania.

 

@PedroTourinho

 

ps. artigo previamente publicado no Correio da Bahia do dia 8/01/2013

Domingo
Jan062013

São Paulo e a cultura dos Festivais

Festivais de musica fazem muito bem a Sao Paulo.

 

Não aqueles festivais mais truqueiros, que juntam algumas bandas aleatorias, colocam embaixo de um nome generico qualquer, contratam promoter da casa para convidar e colocam shuttle service até o anhembi. Não é isso. Me refiro a festivais de verdade.

 

Num Festival de verdade, tem muita gente que vai pelos headliners, bandas conhecidas cheias de hits e de grande público, mas muito mais gente vai pelas outras atrações, aquelas que só ouviram falar, mas sabem que se estão ali, é porque são boas. Um festival de verdade é um ambiente de descobertas. Novos hits, novas bandas, novas experiências.

 

E exatamente por isso, num festival de verdade, você tem que chegar cedo e se preparar para um dia inteiro de música. Protetor solar, roupas leves, turma de amigos e cronograma planejado com as atrações e palcos que desejam conhecer. A vivencia do Festival é muito mais rica com esse dever de casa pronto. É preciso estudar um pouco antes para ter uma experiência mais completa.

 

Outro ponto. Num Festival de verdade você pode ir em família. É uma programação para ir com pais, avós e filhos. Com ambiente mais tranquilo, grandes espaços e programações capazes de agradar a quase todos os gostos e idades, um Festival é o evento ideal para curtir musica boa e de qualidade em família, mas para isso o festival tem de ser de verdade, não um truque.

 

E vocês não imaginam como festivais assim podem fazer bem a qualquer cidade, mas especialmente a Sao Paulo. Vou citar dois exemplos de festivais urbanos que vivenciei este ano. O Lollapalooza em Chicago, e o Austin City Limits, em Austin. O primeiro recebe o Lolla há 6 anos, no parque central da cidade, seu respectivo Ibirapuera. A cidade, uma das maiores metropoles do mundo, repira musica e se encontra inteira no festival. Festas temáticas, side shows, tomam conta da cidade e a comercio inteiro se beneficia. Em Austin, o impacto é ainda maior, pois a estranha capital do Texas e sua populaçnao recebem pessoas do país inteiro, engrossando o caldo da diversidade. Se Austin não vai até o mundo, o mundo vai até Austin.

 

Agora, imaginem o efeito da cultura dos festivais numa cidade como São Paulo. Aqui, a vida cultural é dividida em nichos. Apesar do numero enorme de opções e de possibilidades, um morador desta cidade pode nascer, viver e morrer indo ao mesmo tipo de lugares, ouvindo as mesmas coisas, saindo com a mesma gente e sendo feliz. Isso porque apesar de dividida em nichos, cada nicho é um mundo inteiro. Sem duvidas um Festival capaz de voltar toda a atenção da cidade para o mesmo ponto, criar a oportunidade de reunir diferentes publicos, diferentes gostos, ao redor da musica, podem fazer muito bem a qualquer cidade, mas especialmente a Sao Paulo.

 

Uma cultura de Festival não se constroi da noite para o dia, Lollapalooza tem 21 anos nos Estados Unidos, Austin City Limmits tem 11 anos em Austin, e por aí vai. Mas em 2013 teremos o segundo ano do Lollapalooza em São Paulo, um festival que traz essa experiência de sua realização em outras cidade e que foi desenvolvido e planejado exatamente para ocupar esse espaço na vida e no calendário da cidade. Vamos acompanhar, São Paulo precisa de um festival como o Lollapalooza, e o Lollapalooza precisa no Brasil estar numa cidade como São Paulo. 

Sao Paulo e a cultura dos Festivais

 

@PedroTourinho

 

ps. artigo anteriormente publicado, numa versão editada, na SP LifeStyle Magazine de Outubro